Friday, February 04, 2011
Nota da editora
Houve um momento em que eu fugi de mim, e uma das primeiras coisas que derrubei pelo caminho foi a capacidade de organizar meus sentimentos em forma de palavra. Este espaço aqui sempre foi um dos meus principais refúgios e eu escrevia com uma frequência absurda. Parei com tudo, apaguei um bocado de coisas (por motivos outros também) e fiquei vagando pelo meu próprio corpo tentando recuperar a vida meio perdida. E eu recuperei, sabe. Não do jeito que eu queria, já que uma das razões de toda essa ansiedade, essa procura, ainda me desassossega. Há um espaço impreenchido, impreenchível, e isso, de alguma forma, é até bem bonito. Ou seria, fôssemos menos estáticos, mais urgentes. Fôssemos menos humanos, ou muito mais. O fato é que tem algo de muito bom nos recomeços, na fome do novo, e é isso que eu queria compartilhar. É isso que eu quero viver. Não sei se esse blog ainda possui algum leitor, já que fui tão ausente nesses últimos tempos. Na verdade, nem sei bem se isto é um prenúncio de que estarei mais presente. Ou se eu apenas precisava falar, do jeito que mais gosto, letra por letra. No fundo eu sei que alguém me ouve. Eu sei que você me ouve.
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1 comments:
Fugir de si é sempre tarefa inglória. Você se esquiva de seu reflexo para esbarrar em sua sombra noutra encruzilhada. Organizar sentimentos em palavras é uma maneira cartesiana porém precária de estabelecer um fundamento provisório no caos de nossas equações sentimentais e nos nossos espaços ‘’impreenchidos’’, como você disse. Precários, provisórios, os espaços verbais dos quais você se ocupava no entanto ocupam o espaço da poesia personificada em que você (se) escreve e vive, moçoila. De resto, lhe desejo um perene recomeço, porque os fins (nunca estáticos) estabelecem os princípios. Ressuscitamos sempre de nós mesmos, Silvia Michelle.
E, ah, sim, escuto você há tempos imemoriais. Só não sei se minha audição repercute em sua voz.;)
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