Eu existo no espaço exato
em que você não me toca
no espaço exato
em que você não me olha
no espaço em que você me corta,
exato.
Friday, June 26, 2009
Rapidinha
...certos rapazes nos completam. Não são errados nem são certos, são adequados. Concretamente, seriam o que poderíamos chamar de tamanho M, leite morno, pizza quatro queijos, sorvete de creme, calcinha branca, vinho demi-sec e Djavan: agradam a todo mundo e não desagradam a ninguém.
Certos rapazes são perfeitos, dada a flexibilidade de nossos conceitos.
Certas mocinhas procuram um certo rapaz em todos os certos rapazes.
Sempre dá errado.
Certos rapazes são perfeitos, dada a flexibilidade de nossos conceitos.
Certas mocinhas procuram um certo rapaz em todos os certos rapazes.
Sempre dá errado.
Sunday, June 10, 2007
Conto fêmea
(Post originalmente publicado em 10/06/2007. Signed, sealed, delivered e com direitos autorais reservados aqui, na China ou em PORTUGAL...)
Enquanto saía da cama me parecia meio distante, apesar dos olhos fixos em mim. Notei um certo desconforto confirmado pela sua incapacidade de falar alguma coisa, qualquer coisa. Esbocei um sorriso, mas naquele momento ainda estava adormecida demais para qualquer gesto. Ele continuava parado na porta, olhando fixamente pra alguma parte do meu corpo, pouco coberto. Mas eu não conseguia captar bem a direção daqueles olhos que pareciam mirar os meus, e num instante pareciam procurar minhas mãos e bem poderiam ser minhas coxas. Isso, eram minhas coxas. Mas não falava nada, me olhava, seu rosto eram olhos, olhos, olhos. Olhei de volta e segurei o quanto pude. Arredei um pouco, fui puxando o lençol do chão, quase na ponta da cama amassada. Neste instante, eu já meio corpo para fora, ele gritou ao lado pra que eu parasse, ficasse naquela exata posição. Parei, desconcertada. Pensei que aquela era nova. Ele foi se aproximando, foi chegando perto, muito perto, quase dentro. E eu pude perceber seus olhos fixos na posição que minhas coxas ocupavam ainda há pouco. Entrecoberta pelo lençol de listras claras lá estava, reluzente, a samba-canção de seda estampada com pequenos círculos, presente da mãe no último aniversário. Não podia voltar pra casa sem ela, já havia gasto mais de ¾ de hora procurando-a. Além do apego emocional, era sua mãe que lavava suas roupas e hoje era quinta-feira, dia de colocar tudo de molho. Se ela desse falta, sabe como seria... Eu sabia. Acabei de deslizar pelo lado da cama, puxei o artefato e entreguei em mãos. Ele estava atrasado pro serviço, tentava escapar há algum tempo mas não tinha coragem de cortar o clima me vendo espreguiçada entre os lençóis. Com os olhos já bem abertos pude observar aquela figura com a blusa devidamente abotoada, meias e sapato de cordão nos pés e uma calça preta numa das mãos, posicionada na frente de seu corpo. Me apressei e enquanto trocava de roupa eu pensava que a cueca tinha bolas, mas o homem não.
Enquanto saía da cama me parecia meio distante, apesar dos olhos fixos em mim. Notei um certo desconforto confirmado pela sua incapacidade de falar alguma coisa, qualquer coisa. Esbocei um sorriso, mas naquele momento ainda estava adormecida demais para qualquer gesto. Ele continuava parado na porta, olhando fixamente pra alguma parte do meu corpo, pouco coberto. Mas eu não conseguia captar bem a direção daqueles olhos que pareciam mirar os meus, e num instante pareciam procurar minhas mãos e bem poderiam ser minhas coxas. Isso, eram minhas coxas. Mas não falava nada, me olhava, seu rosto eram olhos, olhos, olhos. Olhei de volta e segurei o quanto pude. Arredei um pouco, fui puxando o lençol do chão, quase na ponta da cama amassada. Neste instante, eu já meio corpo para fora, ele gritou ao lado pra que eu parasse, ficasse naquela exata posição. Parei, desconcertada. Pensei que aquela era nova. Ele foi se aproximando, foi chegando perto, muito perto, quase dentro. E eu pude perceber seus olhos fixos na posição que minhas coxas ocupavam ainda há pouco. Entrecoberta pelo lençol de listras claras lá estava, reluzente, a samba-canção de seda estampada com pequenos círculos, presente da mãe no último aniversário. Não podia voltar pra casa sem ela, já havia gasto mais de ¾ de hora procurando-a. Além do apego emocional, era sua mãe que lavava suas roupas e hoje era quinta-feira, dia de colocar tudo de molho. Se ela desse falta, sabe como seria... Eu sabia. Acabei de deslizar pelo lado da cama, puxei o artefato e entreguei em mãos. Ele estava atrasado pro serviço, tentava escapar há algum tempo mas não tinha coragem de cortar o clima me vendo espreguiçada entre os lençóis. Com os olhos já bem abertos pude observar aquela figura com a blusa devidamente abotoada, meias e sapato de cordão nos pés e uma calça preta numa das mãos, posicionada na frente de seu corpo. Me apressei e enquanto trocava de roupa eu pensava que a cueca tinha bolas, mas o homem não.
Tuesday, October 24, 2006
Conto macho
(Post originalmente publicado em 24/10/2006. Signed, sealed, delivered e com direitos autorais reservados aqui, na China ou em PORTUGAL...)
Vou escrever um conto macho. Daqueles que só homem sabe escrever. Uma história que me valha uns bons diálogos e nenhuma abstração. Porque homem é real, não enrola e não chora. Isso, vou escrever um conto que não chora. Ao invés de metáforas, vou usar um pouquinho de pornografia, fica mais selvagem. Porque o amor, quer dizer, o desejo, é animalesco mesmo. Não tem por que maquiar nada, não. E homem que é homem só fica por cima, em tudo (em tudo). Fica bem descrever detalhes da anatomia também. Uma ou outra consideração audaciosa sobre o empinado dos bicos dos peitos da moça, o rubor das suas bochechas, a pele ficando toda ouriçada, enquanto o rapaz – operário – entra e sai, em vezes incontáveis e ofegantes. Mas muito viris. Não faz mal salpicar alguns defeitos que o próprio homem – na sua voz, claro - admite pra história não parecer tão presunçosa, uma vez que mesmo os mais imperfeitos homens são capazes de proporcionar proteção, zelo e prazer a qualquer mulher. E então convém alguma frase de efeito, lida num livro, que funcione para que o conto retome seu caminho. E nos proporcione mais aventuras. Aparece, então, o amigo, para quem o homem conta suas glórias e destila respostas espirituosas e sábias sobre as agruras da vida. E termina... O conto macho termina vaidoso, afinal, pode ter sempre uma mulher lendo, né?
Vou escrever um conto macho. Daqueles que só homem sabe escrever. Uma história que me valha uns bons diálogos e nenhuma abstração. Porque homem é real, não enrola e não chora. Isso, vou escrever um conto que não chora. Ao invés de metáforas, vou usar um pouquinho de pornografia, fica mais selvagem. Porque o amor, quer dizer, o desejo, é animalesco mesmo. Não tem por que maquiar nada, não. E homem que é homem só fica por cima, em tudo (em tudo). Fica bem descrever detalhes da anatomia também. Uma ou outra consideração audaciosa sobre o empinado dos bicos dos peitos da moça, o rubor das suas bochechas, a pele ficando toda ouriçada, enquanto o rapaz – operário – entra e sai, em vezes incontáveis e ofegantes. Mas muito viris. Não faz mal salpicar alguns defeitos que o próprio homem – na sua voz, claro - admite pra história não parecer tão presunçosa, uma vez que mesmo os mais imperfeitos homens são capazes de proporcionar proteção, zelo e prazer a qualquer mulher. E então convém alguma frase de efeito, lida num livro, que funcione para que o conto retome seu caminho. E nos proporcione mais aventuras. Aparece, então, o amigo, para quem o homem conta suas glórias e destila respostas espirituosas e sábias sobre as agruras da vida. E termina... O conto macho termina vaidoso, afinal, pode ter sempre uma mulher lendo, né?
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